PRISIONAL

O emprego de mão de obra prisional e a ajuda de parceiros da iniciativa privada e da comunidade local possibilitaram a reestruturação da unidade que ganhará novas vagas



Em tempos de escassez de recursos financeiros a administração proativa dos diretores de unidades prisionais se torna essencial para vencer os desafios diários da rotina de trabalho. Foi isso que o diretor geral do Presídio de Mariana, localizado na região central, fez. A despeito da falta de recursos, Antônio de Pádua Pataro Dutra Júnior, que está à frente da unidade a pouco mais de um ano e meio, comemora o aumento de 20% da capacidade da unidade com o término das obras de ampliação, previstas para o próximo mês.

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A unidade prisional, que atualmente tem capacidade para atender 108 presos, passará a contar com 129 vagas. Além da ampliação com a construção de novas celas, o presídio ganhou uma nova faixada com a obra de uma muralha, em substituição à grade que dava acesso à entrada principal da unidade. O muro que circunda a unidade também foi aumentado, ampliando a segurança do presídio e impedindo a visibilidade para o interior da unidade.

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   Antes                                                                           Depois

E quem coloca a mão na massa para mudar a estrutura da unidade são os próprios presos. Ao todo, 17 detentos do Presídio de Mariana trabalham: sete dentro da própria unidade em atividades diversas e outros dez em uma parceria com a prefeitura municipal nos setores de limpeza urbana, manutenção elétrica e transportes.


Cláudio Paulo Margarida, de 61 anos, é um deles. Ele trabalha há oito meses como mecânico no setor de transporte da prefeitura e é responsável pela manutenção de veículos oficiais do município. Em dois meses ganhará a liberdade e os dias de trabalho ajudam este tempo a passar mais rápido. “Esta é uma excelente oportunidade para o preso, pois além de ocupar de forma construtiva o tempo, é possível ainda aprender sempre algo novo e ser útil para a comunidade”, disse Cláudio.

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O diretor-geral acredita que apesar das dificuldades orçamentárias, as parcerias contribuem substancialmente para a melhoria da unidade. “As obras são possíveis graças à participação de comerciantes locais, apoio da prefeitura do município, igrejas e da comunidade de Mariana, que entende a importância do trabalho de ressocialização e segurança que estamos desenvolvendo”, ressalta Pataro. Ele conta que uma das soluções criativas encontradas foi a de reforçar a área da carceragem com trilhos de ferro doados pela Vale do Rio Doce.

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 De detento a estudante e empreendedor

 

José Crispim de Oliveira, 52 anos, cumpriu pena no Presídio de Mariana. Ele é um exemplo de força de vontade na busca da reintegração social. Enquanto ainda estava preso participou em 2016 do Exame Nacional do Ensino Médio para Pessoas Privadas de Liberdade, o ENEM PPL, e, graças à nota alta que obteve em redação, foi aprovado no curso de serviço social da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).


Atualmente ele está no terceiro período do curso e é grato pela oportunidade de estudar dentro da unidade prisional. “Graças ao trabalho sério desenvolvido pelos técnicos da Seap, à atenção dos professores e às oportunidades oferecidas pela direção do presídio eu consegui uma nota alta no exame, o que possibilitou meu ingresso em um curso superior na primeira chamada”.

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 Além de universitário, ele também se tornou empreendedor. Após o cumprimento da pena José Crispim começou a produzir blocos de cimento para a construção civil. A surpresa vem com a atitude do ex-detento, que agora doa blocos para as reformas da unidade na qual esteve acautelado. “Vejo a importância de ajudar doando blocos de construção para as obras realizadas no Presídio de Mariana, na medida em que a contribuição mantém um grupo maior de presos em atividades laborais, e é uma forma de reconhecimento pelo trabalho lá realizado”.

 

Texto: Rangel de Oliveira

Fotos: Dierceu Aurélio/Arquivos Seap

CARTA PÚBLICA 

AMAFMG CARTA PÚBLICA AO SISTEMA PRISIONAL, APÓS INUMEROS CONTATOS DA CATEGORIA COM A ASSOCIAÇÃO.

O QUE ESTA ACONTECENDO COM A SEAP:

CRIADA PARA QUE? ELA NA VERDADE É UMA MENTIRA, FARSA.

A SEAP É UMA VERGONHA

Essa é a maior indagação da Categoria.

Motivos esses de que ao longo desses 4 anos de Governo o Sistema Prisional esta diretamente estacionado, não foi feito qualquer esforço, ou tomada de medidas, atitudes que valorize a categoria.

Apenas Prejuízos.

A Associação AMAFMG, em reunião com demais categorias de representação das forcas de Segurança Publica, pontuou dentre os mesmos problemas das demais, outros diretos ao Sistema Prisional.

 Reajuste Salarial;

 Salários parcelados;

 Atualização dos Salários devido perda salarial dos ajustes inflacionários.

Nesse sentido mobilizações foram feitas e continuaram sendo feitas até o final desse Governo pelas categorias da Segurança Publica.

O sistema Prisional em especifico esta prejudicado pela omissão e não tomada de medidas em situações que agravam a categoria pela SEAP. O ano se iniciou é não há qualquer prosperidade.

 Demissões de Agentes desde Dezembro de 2016 em massa;

 Cadê a Modulação (ADIM) da decisão da Segunda instancia do TJMG?;

 Agentes Continuam sendo demitidos, (atualização Janeiro 2018) reincidindo os contratos;

 Concurso 2018? Cadê.

 Agentes reclamam pelo atendimento da Cidade Administrativa no  4º Andar em especifico, tantas pessoas trabalhando e não conseguem acolher os colegas que viajam km e km de distancia para serem mau tratados por parte de alguns setores na SEAP;

 Assedio Morais em Massa;

 Cadê a Ouvidoria do Sistema Prisional, na apuração ou cobrança dos resultados das denuncias?

 Morosidade na apuração de Procedimentos Administrativos Disciplinares – PAD;

 Investigação de crimes e ilegalidades contra a Administração Publica dentro de Unidades Prisionais: Prevaricação, Condescendência Criminosa, desvio de finalidade, omissão da administração, improbidade administrativa, abuso ou excesso do poder; desvio de função; 

 Agentes Penitenciários reclamando com juízo por suas Avaliações de Desempenho sendo realizadas fora da legislação (decreto, PGDI), notas sendo aplicadas na pessoalidade. Agentes que não concordam ou atos ilegais  de gestores nas suas atribuições corriqueiras, são prejudicados nas suas Avaliações; Conseqüentemente gerando atos de Assedio Moral;

 Falta no quadro de Agentes Penitenciários nas Unidades Prisionais (demissões);

 Desvios de Função;

 Fechamento de Unidades Prisionais;

 Afastamentos por Atestados Médicos de Agentes Penitenciários;

 Super lotações;

 Ataques contra a vida de Agentes Penitenciários; Alvejados;

 Fugas de Presos;

 Insatisfações com a Administração da SEAP: Cargos Comissionados de Alto escalão e em Unidades Prisionais que não são Agentes Penitenciários de Carreira. Na SEAP falta de atuação eficiente na solução para com o crescimento e valorização do Agente Penitenciário.

 

 Dentre outros principais pontos, (sucateamento, falta de estrutura, carga horária, etc) que não há de se julgar necessariamente, pois acontece em tempo e hora ou é evidente, prejudicando a saúde física e mental do Agente Penitenciário.

Quando se cita gestores de Unidades Prisionais, aqueles que não se encaixa nas ilegalidades, que são excelentes gestores, desconsiderarem o tópico. E aos que se enquadram sabem quem são, reflitam.

A Associação AMAFMG, atenta a tudo diariamente, orienta que algo há de se fazer. Uma “revolução”?  

Usar meios extremos, não há necessidade, levar a risco de vidas, não há necessidade, risco de vida é o que os Agentes esta passando no dia a dia, perdendo suas vidas, com saúde prejudicada. 

Acreditamos que nossas armas a serem usadas e mostrar sim a cada dia a desvalorização, omissão, insatisfação por aqueles que estão ou são responsáveis por gerir e não sabem conduzir sem conhecimento da categoria.

 E as Redes Sociais é interessante como armas, pois dessa forma, chega a todos a verdade. Não pode continuar essa aparência falsa, engana tória.

Basta cada um fazer sua parte. Não se cale, é dever do funcionário publico serem leais as instituições administrativas, levar ao conhecimento das autoridades superiores irregularidades. Sendo assim vamos a luta, acredite no poder que o Agente Penitenciário tem. 

Tá na sua mão. Na nossa mão. Seja bastante coerente.

Chega de omissão, ilegalidades e de interesses políticos, usando a categoria de Agentes.

A MINA DO SISTEMA PRISIONAL DE MG ESTA EXPLODINDO. CADEIAS VÃO VIRAR.

 Unidade Prisional de Nelson Hungria deu o sinal de perigo a anos, e nada é feito. (Corrupção, Atentados contra Agentes, Fugas, Falta de Agentes, etc); Não diferente de varias outras Unidades em MG. 

 Onde a AMAFMG recebeu denuncias de mais outras Unidades Prisionais,06 (Seis) Unidades que vão “virar, quebrar”. Exemplo Presídio de Itaúna. 

Carta publicada hoje dia 27/01/18 pela Associação do Movimento dos Agentes Fortes de Minas Gerais – AMAFMG.

 

 

 

Julio Costa

Presidente da AMAFMG

Motim, fogo no Presídio de ITAÚNA/MG 7ª Rip. Destaque

Na tarde de hoje dia 15/01/2018 iniciou Motim, quebradeira, fogo no presídio de Itaúna no centro do Estado de Minas Gerais.

Bastante importante lembrar que a AMAFMG desde a 4 anos vem preocupada com o Sistema Prisional. E ainda mais quando o Sistema Prisional se manifestou em fazer a assunção de mais unidade que antes estava nas mãos da Policia Civil.

Essa preocupação era pelo motivo de não ter condições de vida a falta de recursos humanos e estrutural. E mesmo assim assumiram as cadeias antigas, e agora já começou a fechá-las.

Para que assumiram então?

Sabiam que não tinham estrutura, (tá aí as imagens de Itaúna como exemplo), iriam haver demissões de agentes, que não iriam ter concurso.

Pagaram p ver.

Que em dezembro de 2016 a AMAFMG protocolou junto ao Ministério Publico de Belo Horizonte documento para que não ocorressem as demissões dos Agentes em Sistema de Contrato. Pois é claro e evidente que isso ai, rebeliões, motins, quebradeiras, mortes era anunciado. Só não viu isso quem conhece nada de sistema prisional, como muitos que la estão a frente da gestão da SEAP.

Desfilando de terno e gravata nos corredores do 4º e 5º andar. Parecendo que tudo esta normal.

Tenha certeza pelo caminhar do que esta o Sistema Prisional de MG, omisso, sem conhecimento, desvalorizado a categoria, com demissões que não para, sem concurso (só promessa/enganação) mais episódios irão acontecer, agora segura SEAP.

Falando da SEAP, quando assumida, foi dito que pegou a mesma e que sentou em cima de um barril de pólvora, porém no decorrer desses anos, não fizeram nada para não explodir.

Desembargadores, Policiais militares, delegados e outros que não são agentes na frente da gestão sem conhecimento de um órgão do Estado, da Segurança, muito sensível.

Será que esse governo não esta vendo o crime organizado engolir o Sistema Prisional não.
Se no Rio grande do Norte, se em Goiás, em São Paulo as coisas não andam bem no Sistema Prisional, Minas Gerais esta até pior, é porque esta maquiado.

Esses representantes não ouvem os Agentes Penitenciários, só ouvem quem eles querem ou que garantem cargos. A uma verdadeira prevaricação.

Que são várias unidades prisionais do Estado gestores com dificuldade de cumprir com suas atribuições, principalmente por falta de agentes. Estao relatando para a associação diariamente.

Que mais unidades vão estourar, vão virar.

Mais rebeliões e motins estão vindo pela frente. E a SEAP não toma providências.

Agentes colocando suas vidas em risco a adentrar em galerias. Sem supremacia de força.

Que não pague p ver unidades virar em um único momento em todas as Regiões. O qual causa impacto direto na sociedade.

E o ADIM? Cadê a modulação que ficou acertada para final de dezembro de 2017. Agentes continuam sendo demitidos. E Não modulou nada.

Então Sistema Prisional a AMAFMG buscou ser cooperativa com a SEAP, porem nada acontece para classe. Foram queimados caixões no centro de Belo Horizonte há poucos dias atrás, juntamente com demais representantes da Segurança Publica de MG. Motivos de estarem cansados desse governo mentiroso, denunciado por vários escândalos de corrupção.

Que agora a AMAFMG não vai esperar mais providencias de gestão. Vai mostrar tudo o que acontece dentro da SEAP. Quem é quem. Que só esta segurando cadeira no ar condicionado.

Com Todo respeito às demais instituições que vocês se aposentaram nelas, porem voltem para elas ou para suas casas. A casa SEAP é do Sistema Prisional, fizeram concurso ao cargo de Agente Penitenciário.

Amanha dia 16/01/18 iremos aos órgãos competentes como Ministério Publico levar tudo, sabemos tudo nas 19ª Regiões Integradas e vamos também para imprensa, mostrar tudo.

Estão zombando, brincando com essa Categoria, que tanto já sofre no dia a dia, com unidades prisionais sem estrutura, sem materiais de trabalho, super lotadas, com salários divididos, sem aumento salarial, adicionais, e sofrendo ainda com Assédios Morais nas costas.

Queremos que os representantes e seus assessores,que sentou em cima do barril e disse que estava prestes a explodir, vai a publico e agora justifique essa calamidade.


VÍDEO

Há décadas estudando a ação de organizações criminosas, o desembargador aposentado Wálter Maierovitch diz que o fortalecimento da maior facção brasileira, o Primeiro Comando da Capital (PCC), e o acirramento de conflitos entre gangues nos Estados podem impactar as eleições deste ano.

Em entrevista à BBC Brasil, Maierovitch diz que o PCC ainda não alcançou o peso econômico de antigos grupos mafiosos italianos ou de cartéis colombianos e marroquinos. Mas diz que a facção paulista vem expandido sua atuação e tem força suficiente para influenciar a votação em outubro.

Segundo o desembargador, há relatos de que o PCC patrocina eventos de igrejas na periferia de São Paulo. Afirma ainda que facções criminosas têm interesse em se infiltrar no poder político para costurar acordos que reduzam a repressão policial em certas áreas. Segundo ele, um acordo desse tipo já vigora na periferia de São Paulo.

"A polícia não vai à periferia, onde o PCC atua livre, leve e solto. Há uma lei do silêncio na periferia de São Paulo."

Em nota à BBC Brasil, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo contestou as declarações; leia o posicionamento da pasta ao fim da entrevista.

A preocupação de que facções influenciem o resultado da eleição deste ano já foi ecoada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, e pelo ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, Sérgio Etchegoyen. Ambos têm dito que o fim da possibilidade de que empresas façam doações eleitorais abrem espaço para que o crime organizado financie candidatos por fora.

Wálter Maierovitch
Image captionAlém de Maierovitch, Gilmar Mendes e Sérgio Etchegoyen já expressaram preocupação sobre a influência das facções nas eleições | Foto: Divulgação

Ex-professor de Direito Penal da Universidade Mackenzie (SP), Maierovitch se aposentou como desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo em 1998 para assumir a então Secretaria Nacional de Políticas Antidrogas, no governo FHC.

Em 1993, fundou o Instituto Brasileiro Giovanni Falcone de Ciências Criminais. O órgão foi batizado em homenagem ao principal juiz da Operação Mãos Limpas, que combateu a rede de corrupção entre grupos mafiosos e políticos italianos nos anos 1990. Ele foi morto em 1992 a mando da Cosa nostra, a máfia siciliana, ao viajar por uma estrada forrada com dinamite.

Cidadão brasileiro e italiano, Maierovitch será candidato a deputado na próxima eleição para o Parlamento italiano, em março.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista:

BBC Brasil - Em 2014, o senhor disse que o PCC estava em um estágio pré-máfia. A situação mudou?

Wálter Maierovitch - A situação piorou com relação à segurança pública. Naquela época, falei em pré-máfia porque o PCC e as outras organizações a que se aliou têm o controle de territórios, principalmente na periferia de São Paulo, e têm o controle social dos presos nos presídios. Basta atentar para as rebeliões, quando os presos são usados como massa de manobra.

São dois dados de identificação de organizações criminosas de matriz mafiosa. O que faltava ao PCC - e ainda falta - é a transnacionalidade.

A situação piorou porque o PCC passou a atuar transfronteiriçamente - nas fronteiras e do lado de lá das fronteiras no Paraguai e na Bolívia. Então aumentou sua musculatura.

BBC Brasil - Qual a diferença entre atuar transnacionalmente e transfronteiriçamente?

Maierovitch - Falta ao PCC investir o dinheiro lavado do crime em outras atividades e ganhar força econômica, ampliar seu "PIB". A máfia calabresa, por exemplo, investia na bolsa de Frankfurt. O PCC ainda tem uma atuação econômica pouco sofisticada e proporcionalmente pequena se comparada ao peso do narcotráfico na economia da Colômbia ou do Marrocos.

Hoje a criminalidade é mundial, existem redes que colocam drogas e armas à disposição em qualquer parte do mundo. O PCC não consegue montar uma rede própria para expandir serviços fora do Brasil e fazer com que outras organizações se unam a ele. Pelo contrário, ele tende a se plugar a redes internacionais já existentes.

Homem presos atrás do arame farpadoDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionSegundo ex-desembargador, presos provisórios podem ser facilmente cooptados nas eleições

BBC Brasil - O PCC tem o poder de influenciar as eleições deste ano?

Maierovitch - Essa possibilidade existe. Quando o legislador italiano fez um projeto de lei que se tornou a lei antimáfia, foi colocado um artigo que aumenta a pena quando o membro da organização criminosa influencia nas eleições.

Está muito claro que toda organização criminosa de matriz mafiosa pode ter influência em eleições. Em São Paulo, por exemplo, já tivemos um tempo em que o PCC ousou lançar um candidato a vereador. Não prosperaram, pois a candidatura foi impugnada. Agora o que ocorre são candidatos procurarem o apoio do PCC.

BBC Brasil - Como se dá essa relação?

Maierovitch - O PCC está muito infiltrado na sociedade. Em São Paulo, há informações de que ele patrocina festas de igrejas, quermesses. E como toda organização criminosa de matriz mafiosa, o PCC tem poder intimidatório. Como ele controla territórios, quando lança um nome ou uma ordem, as pessoas ficam com medo e obedecem.

A Sicília demonstrou que essa estratégia funciona no período eleitoral. Durante anos, a Democracia Cristã, o maior partido italiano do pós-guerra, tinha todos os votos na Sicília quando era liderada pelo então primeiro-ministro Giulio Andreotti (nos anos 1970 e 1980). Era o partido majoritário, ligado à máfia. Tanto que Giulio Andreotti foi condenado por associação à máfia e só não foi preso porque o crime prescreveu.

Quando a Democracia Cristã foi incapaz de parar o chamado maxiprocesso conduzido pelo juiz Giovanni Falcone, que fez todos os chefões mafiosos virarem réus, a máfia rompeu com o partido. A Cosa nostra siciliana determinou então que se votasse em outro partido.

BBC Brasil - Como os conflitos entre facções nos Estados, que têm se acirrado nos últimos tempos, podem impactar a disputa eleitoral?

Maierovitch - Ataques feitos por organizações criminosas a pontos estratégicos no período eleitoral ou no dia da eleição vão fazer com que as pessoas tenham medo de votar e não se desloquem.

E mais do que isso, no Brasil, presos provisórios não perdem direitos políticos, porque não têm condenação definitiva. Como o sistema prisional brasileiro não faz separação entre presos provisórios e definitivos, esses presos vão para cadeias dominadas pelo crime organizado e podem ser facilmente cooptados para votar em candidatos apoiados pelas facções.

O desembargador aposentado Wálter Maierovitch
Image captionMaierovitch aponta para o crescimento da influência do PCC | Foto: Divulgação

BBC Brasil - As mudanças nas regras das campanhas, com maiores restrições a doações, abrem espaço para que facções financiem candidatos por fora?

Maierovitch - Quem se aproxima de organizações criminosas normalmente se aproxima para obter votos, porque elas exercem uma intimidação difusa, controlam territórios. Mas essas organizações, como mexem com atividades ilícitas que geram lucro, como o tráfico de drogas, evidentemente podem, sim, financiar campanhas.

BBC Brasil - Quais os interesses das facções em se infiltrar na política?

Maierovitch - Elas podem querer expandir, por exemplo, o que já ocorre em São Paulo com o famoso acordo entre o PCC e o governo do Estado. A polícia não vai à periferia, onde o PCC atua livre, leve e solto. Há uma lei do silêncio na periferia de São Paulo. Isso significa o controle do território, não ser importunado pela polícia, ter facilidade no tráfico de drogas.

BBC Brasil - As facções já estão presentes na política brasileira?

Maierovitch - Não sei se já existe uma infiltração de organizações do tipo PCC. O que existe é a proximidade entre políticos e facções para a obtenção de votos em período eleitoral. E, na Lava Jato, ficou clara a existência de empresas fazendo o papel de organizações mafiosas, atuando no sentido de sugar o Estado.

É uma atuação parasitária. Essas empreiteiras atuaram segundo regras do crime organizado para obter contratos e superfaturar obras.

BBC Brasil - Qual a capacidade que governos e Judiciário têm em evitar a influência de facções nas eleições?

Maierovitch - Não estão preparados. Esse fenômeno se expande pelo Brasil cada vez mais, o que o mostra despreparo do governo federal. O governo federal deixa a questão para os Estados, como se não se tratasse de um fenômeno que ataca o Estado Democrático de Direito.

Não é só este governo que não toma providências, os anteriores também. A atitude de tirar o corpo começa no governo FHC, que não entendeu isso como uma questão federal - embora se faça presídio federal e tenha se criado uma Força Nacional de Segurança.

Então existe um grande risco. É uma questão policial. O que a Justiça pode fazer diante desse quadro? Muito pouco. Ela pode apenas se apropriar de informações importantes das comarcas, dos juízes eleitorais.

Militares fazem blitz na ruaDireito de imagemEPA
Image captionPara Maierovitch, operação com a dimensão da Lava Jato, mas contra as facções criminosas, nunca ocorreu porque não há interesse do governo federal

BBC Brasil - Por que nunca houve no Brasil uma operação com a dimensão da Lava Jato, que mobilizasse várias instituições, contra as facções criminosas?

Maierovitch - Porque não interessa ao governo federal. Esse combate é muito dfíicil. Veja as máfias na Itália - Cosa Nostra, Ndranguetta, Camorra. São mais que centenárias, de difícil combate.

O governo federal não quer se expor, ou se expõe mal. Veja o Rio de Janeiro. Houve uma época em que o governo federal ameaçou entrar para resolver a situação, e o então governador Anthony Garotinho queria comandar o Exército. O governo federal não se impôs.

BBC Brasil - Com a promessa de adotar uma linha dura contra o crime se for eleito, o deputado federal Jair Bolsonaro tem crescido nas pesquisas para presidente. Como avalia o fenômeno?

Maierovitch - Vão sempre aparecer aqueles que se aproveitam da deterioração da situação. Evidentemente, hoje se fala em anticorrupção e em endurecimento das leis, porque a população sente a corrupção, viu o que houve com a Lava Jato, vê um presidente da República sob o odor da corrupção. É um quadro difícil, em que a população vive um clima de fla-flu. É o caldo perfeito para surgirem oportunistas como Bolsonaro.

*

Em nota à BBC Brasil, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo lamentou as declarações de Maierovitch e afirmou que elas "não condizem com a realidade paulista".

"Não há áreas controladas por criminosos nem local onde as forças de segurança não entrem." Segundo a pasta, entre janeiro e novembro de 2017, foram apreendidas no Estado mais de 190 toneladas de drogas e 14 mil armas de fogo.

A secretaria afirma que a eficiência no combate ao crime resultou na queda nas taxas de homicídios em São Paulo, que passaram de 33,3 a cada 100 mil habitantes, em 2001, a 7,56 por 100 mil, em 2017.

O órgão não comentou a declaração de Maierovitch sobre os vínculos entre o PCC e igrejas na periferia de São Paulo.

Agentes de Segurança Penitenciários impediram a entrada de onze aparelhos celulares; cinco carregadores; dois fones de ouvido; quatro serras; e dois alicates na madrugada desta quarta-feira, 06.12, na Penitenciária Professor Aluízio Ignácio de Oliveira, em Uberaba.

O material seria arremessado por dois indivíduos que cortaram a cerca da área externa da unidade. Eles foram capturados, antes de alcançarem a muralha, por Agentes de Segurança Penitenciários que faziam a ronda noturna com cães. Houve troca de tiros com outros dois homens que estavam do lado de fora da penitenciária. Eles fugiram deixando para trás os dois comparsas presos.

Segundo o Diretor-geral, Itamar da Silva Rodrigues, ninguém ficou ferido durante a troca de tiros. A unidade lavrou um Boletim de Ocorrência e os dois indivíduos capturados foram conduzidos pela Polícia Militar. “A penitenciária está localizada em uma zona rural e as equipes possuem a orientação de realizarem rondas constantes na área externa. Estamos satisfeitos com a ação dos Agentes de Segurança Penitenciários nessa situação, uma vez que agiram com excelência, utilizando o uso progressivo da força” destaca Itamar. 

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